Clube de Poesia
Poetry Club
Solo Exhibition
Curated by Ricardo Nicolau
Serralves Museum, Oporto, 2019
Photographies by Filipe Braga. 
Erguer
Robustos muros
Para crescerem
Flores selvagens
Oil on canvas, 40x50 cm, 2019
O vazio que toma conta dos olhos pequenos
e os outros nunca vão descobrir,
Ler aquilo
Que o silêncio não diz
Oil on canvas, 20x20 cm, 2019
Happiness (Making losers happy)
Acrylic paint on carpet, 163x138 cm, 2018
Dear,
Concrete Poem, acrylic on wall, 2019
Body as a book
Concrete Poem, acrylic on wall, 2019
Também eu deixo o relógio parar
E deixo as grades fechar
Porque isto não é uma prisão
Mas sabemos como fugir
Oil on canvas, 100x80 cm, 2018
In the future
Concrete Poem, acrylic on wall, 2019
Escrevo-me
Com erros
Oil on canvas, 30x24 cm, 2018
Já de noite
Continuo no exercício de apagar
Aquilo que finjo recordar
Oil on canvas, 24x19 cm, 2019
O dia
em que deixei de ser (ou fui obrigado)
Jovem artista.
Oil on canvas, 80x60 cm, 2018
Perco o percurso do corpo
E deixo-me dobrar
Sobre a escuridão das luzes
No obscuro desejo
De tudo ficar abstracto
Oil on canvas, 80x80 cm, 2019
Lavar as tshirts às riscas
Pretas e brancas
É com a roupa escura ou clara?
Oil on canvas, 50x60 cm, 2019
Ser o prisioneiro de mim mesmo
E o criminoso dos meus desejos.
Roubo-me de faca apontada
E corto com toda a vontade,
Tal como todos,
De querer mentir
Oil on canvas, 60x50 cm, 2018
Poems Guna
Concrete Poem, acrylic on wall, 2017
Confundir toda a ordem
E não me lembrar do primeiro
Por ainda estar no último
Oil on canvas, 30x30 cm, 2019
Poems of problems
Concrete Poem, acrylic on wall, 2019
About this exhibition
"Clube de Poesia” é a primeira exposição individual de Horácio Frutuoso (1991) numa instituição museológica. Este título pode relacionar-se diretamente com duas das especificidades que singularizam a sua prática artística: a atenção à linguagem — a presença de frases escritas sobre paredes e chão de galerias, uma espacialização daquilo que historicamente se designou como poesia visual, ocupa um lugar destacado no seu percurso expositivo — e uma constante criação de sinapses, de associações.
A relação mais evidente nesta mostra é desde logo entre meios: a pintura e a escrita sobre paredes — e a escrita nas próprias pinturas — confundem-se e desestabilizam todas as hierarquias entre visualidade e leitura, com as frases a ocuparem de certa forma o lugar das tabelas que tradicionalmente acompanham pinturas, e que frequentemente fornecem elementos — títulos, nomeadamente — que permitem aos espectadores partirem para determinadas interpretações. Por outro lado, também a iconografia representada remete para a ideia de assembleia, de clube, até de sociedade secreta. Destaque-se, por exemplo, a presença de riscas horizontais brancas e negras — que pode remeter para a sinalização de malfeitores punidos pela justiça (pelo menos de desviados) — em t-shirts simplesmente dobradas, pousadas ou envergadas por um indivíduo mascarado e pelo personagem famoso (nem sempre pelos melhores motivos) Kanye West; além destas figuras podemos ver na exposição retratos de alguns dos amigos mais próximos do artista, potenciais membros de um determinado mas inominável clube. 
Assinalável é o facto de algumas pinturas declararem premeditadamente serem cópias de cópias, reproduzindo, por exemplo, além de determinadas imagens as páginas dos cadernos onde estas foram guardadas pelo artista. A solenidade retirada à pintura — meio ao qual o artista não atribui mais importância do que à escrita que frequentemente a cobre, pelo menos parcelarmente — é reforçada pelo tipo de linguagem utilizada pelo artista nas próprias telas e nas paredes, entre o registo eminentemente pessoal, diarístico (despudoramente confessional, em certos casos), que denuncia simultaneamente a permeabilidade em relação à chamada cultura popular (música e cinema de massas) e uma utilização sofisticada, literária, de diversas figuras de estilo (aliteração, sinopsia, onomatopeia, sinédoque). Outras vezes, o artista recorre simplesmente à repetição que na música se traduz em refrães ou em ritmos sincopados que nos convidam a juntarmo-nos na pista de dança. 
A escrita de Horácio Frutuoso é portátil, é uma forma de capturar aquilo que, exatamente como a dança, é fugidio, evanescente, que está prestes a desaparecer: um sonho, uma ideia, uma estranha relação entre duas coisas. Responde à urgência. É um meio leve, fácil de transportar. Como tudo na prática artística de Frutuoso, parece periférico, mas pode tornar-se central. O contrário também se aplica.   
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