World Tour - Inferno

Tinta acrílica, óleo sobre tela de algodão, corda de algodão, e mosquetão.
250x500 cm

Apresentado na exposição “Face à Bandeira: Expedição ao Inferno” com Carmo Osul, Hugo Soares, Jérémy Pajeanc, e Maria Trabulo, em Fevereiro de 2015, nos Maus Hábitos - Porto, no âmbito do projecto Expedição.  



  Pensa-se que as Zebras têm listras no corpo como uma adaptação para se camuflarem na vegetação, ou estando em grupo parecer um animal maior porte, protegendo-se assim de predadores. Esta questão não é consensual pois são levantadas dúvidas quanto à eficácia do listrado preto e branco enquanto camuflagem, pois também é usado para tornar visível, veja-se a roupa de prisioneiros ou alguns sinais de trânsito. Contudo, numa rápida pesquisa na internet sobre Zebras, rapidamente somos linkados para artigos sobre a famosa e curiosa Dazzle Camouflage. Este tipo de camuflagem, desenvolvida por um zoólogo com a colaboração de artistas, foi usada em barcos durante a Iª Guerra Mundial, não funcionava de forma a esconder na paisagem,  mas a criar um efeito visual que distorce a perspectiva, dificultando assim a tarefa de calcular a velocidade e a direcção para fazer pontaria e atingir. Também no inicio do século XX foram feitas algumas experiências para fardas militares baseadas no listrado da Zebra.

  Remete-me para a roupa de montanha, que ou é colorida, por vezes com combinações berrantes, ou então discreta, com cores que permitem a dissuação na natureza, a dita camuflagem. Ambas têm a sua razão, a primeira para ser visível no caso de perda ou acidente, a segunda para a integração na paisagem.

  Michel Pastoreau apresenta um estudo sobre o uso do listrado e das riscas ao longo da história no livro “O tecido do Diabo”, onde embora o seu significado tenha sido alterado ao longo dos anos, esteve sempre conotado à transgressão de ordem social ou cultural, carregando um carácter depreciativo, marginal, e por vezes diabólico. Desde a Idade Média até aos dias de hoje encontramos exemplos associados à transgressão ou do que vive à margem da sociedade, como os leprosos, as prostitutas, usado em trajes para distinguir aqueles com profissões inferiores, como símbolo revolucionário, veja-se a bandeira francesa e americana, associado ao crime, pelas fardas do prisioneiros, os fatos dos gangsters, e as grades da prisão. Hoje é comum usar as riscas como sinal de perigo ou atenção, nos sinais de trânsito e carros de polícia por exemplo.

  Assim, em Expedição ao Inferno, veste-se o traje adequado à festa, esperando que no fim, tal como n’A Divina Comédia de Dante Alighieri, a descida valha a pena.